Fujo da vida

Passo toda a noite à espera que venha o sol, mas quando ele chega eu escondo-me, abrigo-me dele, fujo da vida na tentativa de a viver, digo que está muito quente, demais ardente para que eu o enfrente. E assim não vivo, não sinto, não sei. A vida não é diferente, tentamos fugir dela constantemente, pensando que à frente há uma estrada, uma saída sempre, um caminho a percorrer ou a trilhar, conforme a coragem e a força que nos reste. Uma fome antiga, uma que nunca foi saciada, 34 anos de uma dor invisível, de um ardor infinito, de uma agonia. Atravessar o tempo, de um lado ao outro de mim mesmo, num caminho tão vasto como o próprio universo, suspenso, inerte, imerso, numa outra dimensão, interior, morre o valor e a forma, e resta a intenção, a criação, a vibração, a própria vida.

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