Lá bem no fundo esquecido
Sou escravo dos meus medos, rival dos meus segredos,
abandonado no silêncio gelado estou aqui,
parado à espera que algo mude, mas nada muda, eu sei.
Estou habituado, estranho o meu presente e esqueço-me dos meus sonhos,
estagnado revejo-me esquecido num paradoxo intemporal.
Já não me recordo mas agora é-me indiferente, nada do que fui voltarei a ser;
ninguém há-de assistir à minha derrota ou assistir-me na vitória, ninguém...
Solidão, cara companheira de longa data, escolhi-te ciente das memórias sombrias que definem o meu ser.
Não existe arrependimento, esquecimento apenas, mas nada mais...
Prefiro-te a ti do que a sofrer, prefiro-te aqui do que a viver...
Dor tal, inconcebível para o teu ser sentir como só eu sinto, és incapaz de compreender... este corpo existe em vão.
Meu espírito há muito me deixou, visto-me de negro num luto vazio eterno, pois "ele" padeceu.
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